Celulares, tablets, televisão, computadores e videogames fazem parte da rotina das famílias e podem oferecer conteúdos educativos, entretenimento e oportunidades de aprendizagem. Entretanto, a forma como a tecnologia é utilizada é tão importante quanto o tempo de exposição.
Na primeira infância, a criança aprende principalmente por meio de experiências reais: brincadeiras, movimento, exploração do ambiente, interação com outras pessoas, conversas, histórias e trocas afetivas. Quando o uso excessivo ou inadequado das telas substitui essas experiências, pode haver prejuízos ao desenvolvimento.
Quais podem ser os impactos do uso excessivo?
O excesso de tempo diante das telas pode reduzir oportunidades importantes de interação social, brincadeiras, atividade física e sono. Em crianças pequenas, o uso excessivo está associado a dificuldades relacionadas ao desenvolvimento da linguagem e das habilidades socioemocionais, além de alterações no sono e redução da atividade física.
Também é importante observar o momento em que a tela é utilizada. O uso próximo ao horário de dormir ou durante as refeições, por exemplo, pode interferir na rotina e diminuir oportunidades de interação familiar.
Por isso, mais do que simplesmente contar horas, é importante perguntar: o que a tela está substituindo na rotina da criança?
Quanto tempo de tela é recomendado?
Para crianças pequenas, as recomendações são restritivas. A Organização Mundial da Saúde não recomenda tempo de tela para menores de 2anos, para crianças entre 3 e 4 anos, recomenda-se no máximo 1 hora por dia, sendo que quanto menos melhor.
Para crianças maiores e adolescentes, não existe um número único de horas considerado adequado para todos. A recomendação é estabelecer limites de acordo com a idade e as necessidades individuais, garantindo que o uso da tecnologia não prejudique o sono, a atividade física, os estudos, a convivência familiar e as relações sociais.
Como tornar o uso da tecnologia mais saudável?
Algumas atitudes podem fazer diferença:
- Priorize brincadeiras, movimento, leitura e interação presencial.
- Escolha conteúdos adequados à idade e à fase de desenvolvimento da criança.
- Sempre que possível, acompanhe a criança durante o uso da tela, conversando e participando da atividade.
- Evite telas durante as refeições e próximo ao horário de dormir.
- Não deixe dispositivos eletrônicos no quarto durante a noite.
- Estabeleça limites claros e mantenha uma rotina previsível.
- Os adultos também devem ser bons modelos de uso da tecnologia.
A tecnologia pode fazer parte da infância, mas não deve substituir as experiências que são fundamentais para o desenvolvimento infantil.
Conversar, brincar, cantar, contar histórias, desenhar, correr, explorar e conviver são experiências que estimulam a linguagem, a criatividade, a atenção, o movimento e as relações afetivas.

