A importância da amamentação para as funções pré-fônicas

A importância da amamentação para as funções pré-fônicas

Estudos comprovam cada vez mais as vantagens do aleitamento materno para lactentes, mulheres, sociedade, meio ambiente. Estes benefícios são de ordem nutricional, imunológica, psicológica, ortodôntica, social, cultural e econômica.
O que poucos sabem é que a amamentação tem reflexos futuros na respiração, dentição e fala da criança. Quando a criança é amamentada, está não só se alimentando como também fazendo um exercício físico muito importante, pois ao ordenhar o leite, deglutir e respirar, o bebê realiza movimentos que estimulam o crescimento harmonioso das estruturas orais e faciais.
Ao nascer o bebê tem a mandíbula muito pequena, que irá alcançar um tamanho equilibrado em relação à maxila ao ter seu crescimento estimulado pela sucção do peito. Maxilares melhor desenvolvidos propiciarão um melhor alinhamento da dentição. Músculos firmes ajudarão na fala. Durante a amamentação a criança aprende a respirar corretamente pelo nariz.

A mamadeira

O bebê que suga o bico de borracha adota um padrão de sucção diferente do padrão assumido com a mama uma vez que os movimentos da língua não são os naturais e a musculatura é utilizada de forma incorreta. Na amamentação natural a criança tem maiores condições de satisfazer suas necessidades sensório-motoras globais, e particularmente sua necessidade oral, porque através da sucção do peito exercita por mais tempo os seus órgãos fono-articulatórios. Na amamentação artificial esse processo tende a ocorrer de forma muito rápida e passiva.
No entanto, no seio ou na mamadeira, a amamentação é o acontecimento mais importante da vida da criança e é determinante para o seu posterior relacionamento com o mundo, portanto mesmo que a criança esteja recebendo leite artificial, a alimentação deverá ser efetuada como se ela estivesse sendo amamentada no seio, com carinho e o toque da mãe.
O bebê deverá ser mudado de posição como se estivesse mudando de mama para que seus dois olhos recebam estímulos, pois enquanto mama apenas um de seus olhos fica liberado para explorar o mundo e é importante que isso aconteça de forma binocular desenvolvendo assim sua acuidade visual.
Durante a mamada a criança deverá ficar mais verticalizada, quase sentada ao colo da mãe evitando assim que o leite escorra para a tuba auditiva levando à otite de repetição.
O bico da mamadeira deverá ser sempre ortodôntico, observando a indicação própria para a idade e o conteúdo. Nunca aumentar o furo do bico da mamadeira, pois é importante que a criança exercite a função de sucção cujo o esforço é necessário para o desenvolvimento da face.
Não fazer da mamadeira uma companheira ao longo de anos o que habituará a criança a uma dieta mole e adocicada. A amamentação natural prepara o bebê para a mastigação que continuará a tarefa de exercitar ossos e músculos da face.

A chupeta

A chupeta existe para completar em alguns casos a necessidade de sucção (comum em bebês que usam mamadeira já que o processo de alimentação acontece de forma muito rápida), acalmar e tranqüilizar o bebê, ou ainda para evitar o hábito da sucção de dedo, já que este traz danos mais severos ao desenvolvimento buco-facial.
O uso da chupeta deverá ser mínimo, em momentos de stress ou para adormecer, e não para qualquer choro do bebê. Deve-se sempre inspecionar as causas do desconforto antes de partir para o uso da chupeta e deve-se retirá-la quando o bebê se acalmar ou adormecer.
Quando a chupeta permanece interposta entre os lábios pode-se perder a memória muscular de vedação labial, o que é fundamental para que se respire pelo nariz. Admite-se seu uso até dois anos de idade, quando a fala fica desenvolvida e a necessidade de sucção passa a ser substituída pela mastigação.
Assim como o bico da mamadeira a chupeta deverá ser sempre ortodôntica, pois permite um maior contato da língua com o palato durante a deglutição, observando a indicação para a idade correta. O uso contínuo e incorreto da chupeta somado ao padrão genético da criança poderá trazer como conseqüências: o desmame precoce devido à “confusão de bicos”; problemas de oclusão dentária (mais frequentemente a mordida aberta anterior e protrusão dos dentes anteriores); alterações dos padrões respiratórios pela falta de vedamento labial levando à uma respiração oral; alteração no padrão de deglutição por interposição lingual e alteração na fala.

Orientações para o sucesso da amamentação

1) Durante a gravidez é preciso examinar as mamas e verificar a forma dos mamilos, pois se forem planos ou invertidos existem exercícios próprios para transformá-los em mamilo normal, para poder ser bem abocanhado e sugado pelo bebê.
2) Aumentar a ingestão de líquidos, o que proporciona uma maior produção de leite.
3) O horário das mamadas deve ser livre e a criança deverá ser amamentada sempre que tiver fome e durante o tempo que quiser, pois com o melhor esvaziamento das mamas haverá aumento na produção do leite.
4) Quando houver nova produção de leite e o seio ficar muito túrgido, fazer compressa / bolsa de água quente ou ficar de baixo do banho quente esvaziando um pouco a mama cheia (com massagens manuais correndo os dedos desde o início do peito até a auréola), pois assim o bico do seio ficará mais “mole” diminuindo a chance de fazer fissura (ferida) quando o bebê for sugá-lo.
A mãe necessita fazer algumas restrições alimentares como alimentos que causam flatulência e alimentos alergênicos para que se evite às cólicas do bebê.